Vença a Depressão Pós-Parto, doença que acomete pelo menos uma em cada quatro mulheres no Brasil

Vença a Depressão Pós-Parto, doença que acomete pelo menos uma em cada quatro mulheres no Brasil

Vença a Depressão Pós-Parto, doença que acomete pelo menos uma em cada quatro mulheres no Brasil

Dar à luz é uma experiência inesquecível, que pode trazer muito crescimento pessoal, mas que também afeta as emoções e provoca os sentimentos mais profundos. Além disso, o período após o nascimento do bebê representa um momento de transição e adaptação a uma nova realidade, caracterizada por grande fragilidade psíquica e física para as mulheres, o que a deixa mais vulneráveis à Depressão Pós-Parto (DPP).

CARACTERÍSTICAS DA DPP

Ao contrário do que muitos acreditam, não é coisa de novela nem frescura. A Depressão Pós-Parto existe e pode acontecer com qualquer mulher. Em geral, ela se assemelha a um quadro comum de depressão. No entanto, os sintomas se acentuam com as transformações que ocorrem no início da maternidade e sua causa, embora não seja regra, pode estar relacionada a uma dificuldade pessoal de lidar com mudanças radicais.

Em números, a Depressão Pós-Parto afeta mais de uma em cada quatro mulheres no Brasil, segundo um estudo realizado pela pesquisadora Mariza Theme, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), essa prevalência é maior do que a estimada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para países de baixa renda, em que 19,8% das parturientes apresentaram transtorno mental, em sua maioria a depressão.

AS CAUSAS

Para a psicóloga do Centro de Reabilitação Nossa Senhora de Lourdes (CRNSL) Patrícia Gouveia, além dos sinais citados acima, a falta de afeto pelo bebê, a diminuição ou perda da libido, o desânimo, a baixa autoestima e a irritabilidade são algumas das causas.

Todas as mães podem desenvolver a doença, mas aquelas que já apresentaram depressão ao longo da vida e que tenham casos na família são as que mais têm probabilidade de desenvolver o quadro. “Histórico de depressão em qualquer momento da vida, falta de apoio, instabilidade financeira, conflitos conjugais, histórico familiar de transtornos psiquiátricos, complicações no parto ou violência obstétrica são alguns dos fatores de risco”, enumera a psicóloga.

SINTOMAS

A enfermidade começa com uma tristeza leve, antes dos 15 dias após o parto, podendo ser confundida com o baby blues – que é uma melancolia pós-parto que não chega a ser depressão e geralmente dura menos de um mês. Porém, aos poucos, a tristeza vai ficando mais intensa, o choro fica descontrolado, há uma perda do prazer e interesse nas atividades rotineiras. Veja mais alguns dos sintomas:

Humor deprimido: tristeza constante, mesmo sem razão aparente. Mesmo estando tudo bem, a mulher não se sente bem, feliz ou tranquila.

Desânimo: falta de ânimo, falta de energia para a realização das atividades, mesmo as mais simples e corriqueiras ou aquelas que eram comuns.

Perda de prazer: não se interessa mais por atividades que se interessava antes, não se realiza ou se satisfaz. Faz o que é preciso porque é preciso, somente cumpre com as obrigações.

Cansaço: sensação constante de cansaço e falta de energia. Ao menor esforço, encontra-se imensamente cansada. A sensação de cansaço não é diretamente proporcional ao esforço realizado.

Falta de concentração: não tem energia suficiente para manter-se concentrada ou com a atenção focada pelo mínimo tempo sequer.

Alteração do sono e apetite: insônia e excesso de sono são relatados frequentemente. Sono durante o dia e insônia nas noites. O apetite também é afetado, em geral, com a falta de interesse pelos alimentos, mas pode acontecer também o oposto.

A psicóloga do CRNSL explica ainda que a pessoa acometida pela Depressão Pós-Parto pode ser dominada por sentimentos de inutilidade e culpa, chegando ao extremo de ter pensamentos suicidas. “A depressão pós-parto geralmente surge 15 dias após o nascimento do bebê e pode continuar ao longo de todo o puerpério, que é até os dois anos da criança”, explica.

ACEITAR É O PRIMEIRO PASSO

Patrícia destaca que muitas vezes a Depressão Pós-Parto não é notada, pois muitas mães tentam escondê-la por vergonha, culpa ou medo. Por isso, em alguns casos, é necessário a intervenção e o suporte de alguém próximo que observe os sintomas característicos de uma depressão, uma vez que a mulher está confusa com tantos sentimentos e não consegue perceber que precisa de ajuda. “A orientação médica e o acompanhamento psicoterapêutico são as primeiras medidas que devem ser tomadas para a saúde emocional tanto da mãe quanto do bebê e da família como um todo”, explica.

Ainda de acordo com a psicóloga, a Depressão Pós-Parto tem cura. “Sentir-se culpada ou envergonhada, abafar os sentimentos e sofrer em silêncio não fará com que o problema seja resolvido. Reconhecer as dificuldades é o primeiro passo para a cura”, ressalta.

TRATAMENTO

O tratamento geralmente é realizado com psicoterapia, que muitas vezes já é suficiente para reverter o quadro. No entanto, em diversos casos, há também a necessidade de associar o tratamento a algum tipo de medicação prescrita por um médico especialista. “Os antidepressivos, por exemplo, servem para reequilibrar as substâncias químicas no cérebro. Eles atuam para melhorar o humor, ajudar no sono e fazer com que a mulher se sinta menos irritável”, conclui.

ATITUDES QUE AJUDAM NA SUPERAÇÃO DA DEPRESSÃO PÓS-PARTO

Tente manter uma alimentação saudável: caso não tenha apetite, procure fazer pequenas refeições regularmente, para que os níveis de açúcar no seu sangue não caiam. Você precisa de energia, assim como seu sistema imunológico.

Descanse bastante: durma quando conseguir ou simplesmente relaxe. Se alguém puder cuidar do bebê para você, aproveite para tirar uma soneca durante o dia, tome um banho bem relaxante ou escolha uma boa leitura e curta alguns momentos de preguiça.

Exercite-se: pode ser a última coisa que você tenha vontade de fazer neste momento, mas ter alguma atividade física vai ajudar a se sentir melhor, tanto mental como fisicamente. Você pode entrar em alguma aula de ginástica, por exemplo. Mas, se não for possível, só de sair para uma caminhada já trará benefícios.

Encontre-se com outras mães: a vida de uma mãe recente pode ser bastante solitária e o sentimento de solidão é pior ainda quando se convive com a depressão. Procure conhecer outras mães que estão na mesma fase de vida – é bom saber que não é só você que vive determinadas situações, como o cansaço de cuidar de um bebezinho.

Não seja dura consigo mesma: você está doente e precisa de tempo e espaço para se recuperar. Não se sobrecarregue com tarefas domésticas que não sejam urgentes e adie as “grandes” decisões por enquanto. Permita-se alguns mimos.

Aceite ajuda: deixe que amigos e familiares façam tarefas por você e peça ajuda especialmente ao seu parceiro.

Está passando por uma situação parecida? Diante da suspeita, não sinta culpa nem vergonha, procure um psicólogo imediatamente. Você e seu filho merecem essa atenção e esse respeito!

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